Policiais Penais do semiaberto de Prudente suspeitam de presos transferidos com alta temperatura e chamam SINDCOP para averiguar
O Diretor da Subsede de Venceslau, José Cláudio e o advogado Bruno Carminatti estiveram na unidade para conversar com os servidores e com o diretor geral.
Postado em : 31/03/2020



Carlos Vítolo

 

O SINDCOP recebeu a denúncia de servidores do semiaberto de Presidente Prudente, de que três presos foram transferidos para a unidade prisional e que havia sido constatado que estavam com temperatura elevada e tosse.

Diante do atual quadro de pandemia, provocada pelo Covid-19, os servidores ficaram receosos e decidiram chamar o sindicato para averiguar os fatos junto a direção da unidade.

Foram destacados para a unidade o Diretor da Subsede de Venceslau, José Cláudio e o advogado Bruno Carminatti, que se reuniram com os funcionários para buscar detalhes do fato.

De acordo com os servidores, no final da manhã desta terça-feira (31), o semiaberto recebeu três presos vindos por transferência das penitenciárias de Mirandópolis e Pacaembu, e os mesmos apresentavam elevada temperatura corporal, em torno de 38 graus, e tosse. Os funcionários relataram que, segundo a médica, poderia ser hipotermia ou alguma outra hipótese que poderia ter aumentado a temperatura dos presos em razão do calor da região. (A hipotermia é a temperatura corporal reduzida que acontece quando um corpo dissipa mais calor do que produz internamente durante tempo suficientemente prolongado).

De acordo com as informações, a médica colocou os presos em um local de sombra e depois aferiu a temperatura, constatando que apresentavam 37,2 graus. Em seguida fez outros procedimentos para constatar se apresentavam sintomas de Covid-19, porém, todos os foram negativos, no entanto, a médica recomendou que os três ficassem no isolamento, na enfermaria, por 12 dias, para se observar qualquer possível sintoma.

Funcionários relataram que chamaram a direção do presídio para que os presos não ficassem na unidade, no entanto, a inclusão foi feita e os três foram encaminhados para o isolamento.

Os policiais penais do semiaberto também reclamaram ao SINDCOP sobre a falta de álcool gel, luvas e máscaras. De fato, durante o período que a reportagem esteve na unidade, não foi visto nenhum servidor usando luvas ou máscaras e, ainda, flagramos um recipiente vazio na portaria, que deveria conter álcool gel, conforme foto.

Recipiente de álcool gel vazio

Após a conversa com os funcionários, o diretor do SINDCOP e o advogado conversaram com o diretor da penitenciária e do semiaberto, José Carlos dos Santos, que disse que os materiais de proteção e segurança já estavam na unidade e que seriam entregues aos funcionários até o final do dia, salvo as máscaras, uma vez que está em falta na região. (Até o fechamento da reportagem não foi possível constatar se realmente os materiais foram entregues aos funcionários).   

De acordo com informações fornecidas pela SAP, o semiaberto tem capacidade para abrigar 247 presos e está com uma população de 692.

Suspensão da saída temporária do semiaberto

A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), informou que as saídas temporárias dos sentenciados do regime semiaberto foram suspensas. As saídas eram para ter ocorrido entre os dias 17 e 23/3, mas, de acordo com nota da secretaria, “retornando ao cárcere, teriam elevado potencial para instalar e propagar o coronavírus em uma população vulnerável, gerando riscos à saúde de servidores e de custodiados”. A SAP destaca que o Poder Judiciário interrompeu momentaneamente as saídas temporárias para assegurar a concessão do benefício em data oportuna.

Colabore com o SINDCOP enviando informações das unidades

O SINDCOP está acompanhando de perto a grave pandemia do novo coronavírus e já cobrou a SAP, por meio de ofício protocolado, que o órgão público efetive ações para a prevenção do contágio do Covid-19 no sistema penitenciário. O sindicato solicita a todos os servidores das unidades prisionais, que enviem dados e informações diárias sobre a situação, para que o sindicato possa produzir boletins, atualizar e orientar a todos, além de cobrar o governo. Os dados podem ser enviados por meio do aplicativo WhatsApp (14) 99762-7130 / (14) 99842-5509.





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